PONTOS

 

            Para facilitar a interação entre os espíritos que trabalham na Umbanda e seus médiuns, é necessário que sejam estabelecidos canais que os liguem, eficientemente. Tais canais são construídos através do tempo de desenvolvimento mediúnico de várias maneiras, seja através de obrigações, firmezas ou, mesmo, a simples concentração. Todavia, há algumas fontes de energia que facilitam sobremaneira tal contato na Umbanda, constituindo umas das principais ferramentas pelos Guias utilizadas, e que têm por finalidade formar de maneira rápida o canal de ligação entre a matéria e o espírito, sendo por isso chamadas de “pontos de força” ou simplesmente “pontos” e que podem ser divididas em três categorias:
 

 

PONTOS RISCADOS – PEMBAPONTOS CANTADOS - CURIMBASPONTOS ACESOS – VELAS

 

 

           Normalmente são utilizadas pembas coloridas. Cada Guia utiliza a cor mais afim com a sua vibração, e que é determinada pela linha a que pertence. Os pontos também podem ser riscados com lápis ou carvão sobre o papel, devendo-se evitar o uso de canetas ou tintas industrializadas, por não serem feitas de produtos naturais, de forma que a “força” do ponto torna-se substancialmente diminuta.

 

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PONTOS RISCADOS – PEMBA

 

            Cada Guia tem o seu próprio ponto riscado, que funciona como a sua assinatura pessoal e que estabelece o canal entre matéria e espírito a partir da energia da luz que sobre os seus desenhos incide e é refletida. 
 

            Trata-se de um conjunto de símbolos, muitas vezes aparentemente desprovidos de qualquer relação entre si, mas que, quando dispostos de determinada maneira, além de refletirem a luz sob uma vibração específica, atuam no subconsciente do médium – por estarem presentes no inconsciente coletivo -, gerando no mesmo, sensações, pensamentos e, conseqüentemente, vibrações mais afins com as do Guia, ligando-o imediatamente à entidade por ele representada. 
 

            Os pontos são normalmente riscados no chão ou em tábuas com uma espécie de giz denominada pemba. No princípio, as pembas eram produzidas com materiais naturais e tinham uma variada gama de ervas em sua composição. Hoje em dia, devido aos novos processos produtivos, a indústria pouco a pouco foi substituindo alguns componentes, de forma que as pembas atualmente são constituídas basicamente do mesmo calcáreo do giz comum.
 

 

            Além dos símbolos utilizados encontrarem respaldo no inconsciente coletivo, contam normalmente, particularidades sobre o Guia que os riscou, como a linha de Umbanda a que pertence, seus métodos de trabalho e até local de atuação na natureza. Alguns símbolos são comuns a cada linha de Umbanda, o que não quer dizer, em hipótese alguma, que Guias de uma linha não possam utilizar símbolos típicos de outras em seus pontos riscados, identificando-lhes os métodos de trabalho e irradiações em que atuam. É comum observar-se arcos e flechas em pontos de caboclos e caboclas, espadas em pontos de falangeiros de Ogum, cruzeiros em pontos de preto velho e assim por diante.

 

            Uma entidade pode ter mais de um ponto riscado, mas cada ponto riscado só pode pertencer àquela entidade. Muitas vezes os Guias utilizam o seu ponto riscado em meio a um trabalho em especial, o que tem por finalidade manter ativas suas vibrações pelo menos enquanto o ponto permanecer riscado.

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                                                                                 PONTOS CANTADOS - CURIMBAS

 

            Têm por finalidade estabelecer o canal de ligação entre espírito e matéria através da energia sonora e da vibração liberada pela voz e entusiasmo humanos. Funcionam como mantras que, quando entoados repetidamente, têm a capacidade de elevar a consciência humana a estados alterados e propícios ao encontro da espiritualidade.

 

            Todos os Guias têm o seu próprio ponto cantado, formulado por eles próprios e que possuem, em seu bojo, um conjunto de palavras e ritmo que liberam vibrações afins às da entidade e que, por isso, facilitam a abertura dos canais de comunicação físico-astrais. São os chamados “pontos de raiz”. Contudo, permitem os Guias que os encarnados também componham tais cantigas (pontos terrenos). Obviamente não serão providas do mesmo aspecto místico e das mesmas qualidades vibracionais que um ponto de autoria espiritual, mas reconhecem os Guias a boa intenção dos compositores, de forma que, ao serem executadas, além de facilitarem a comunicação, chegam aos seus ouvidos como orações requisitando a sua presença. Se estiverem distantes, tão logo possam, aproximar-se-ão de quem as executa a fim de desempenharem sua missão de auxílio.

 

            Algumas vezes, quando a mente consciente do médium não atrapalha, os Guias cantam os seus pontos a fim de possibilitar o seu aprendizado pelos presentes à corrente. 

 

 

            Os pontos cantados também têm por finalidade a manutenção da concentração e da linha de rituais durante os trabalhos. É preferível que os médiuns estejam com a mente consciente ocupada cantando os pontos dos Guias a estarem divagando sobre problemas exteriores durante a realização do ato de magia. Além disso, contam os videntes que, durante a execução dos pontos cantados, inunda-se o ambiente de energias luminosas coloridíssimas que envolvem cada um dos presentes e tornam-se mais intensas à medida que a vibração do canto, palmas e demais instrumentos de acompanhamento também aumentam. Algumas vezes, enquanto são entoados, despregam das auras das pessoas presentes as larvas de energias negativas que a elas tenham se agregado.

 

            Os pontos cantados, assim como os riscados, normalmente retratam particularidades da entidade que representam. Falam de suas características, locais de atuação, irradiação em que trabalham e, obviamente, o seu próprio nome e linha a que pertence e, por isso, devem ser cantados com todo o respeito e recolhimento necessários.

 

 

 

            Há pontos próprios para as mais diversas finalidades dentro do núcleo umbandista: para demandas, louvação, chamada dos Guias, despedida, descarrego, pedidos, agradecimentos, perdão e até mesmo confraternização entre os médiuns.

 

            É dever de todos os presentes aprender e acompanhar os pontos cantados. Contudo, há uma figura especial dentro da casa de Umbanda que tem a missão única de entoá-los: o Curimbeiro. Cabe a ele saber quando deve iniciar ou “puxar” determinado ponto e quais os pontos que não devem ser cantados em determinada situação. Pontos puxados fora de hora ou de maneira errada podem trazer grandes malefícios aos médiuns presentes. Por isso, é o Curimbeiro uma figura digna de respeito e que possui grande responsabilidade, devendo dar cumprimento ao compromisso que assumiu e dele prestar contas aos Orixás.

 

 

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PONTOS ACESOS - VELAS

 

           A função da utilização de velas dentro dos rituais umbandistas não é iluminar os Guias como muitos pensam, pois, no estágio evolutivo em que se encontram, estão mais para iluminar que para serem iluminados. Além, disso, se a questão fosse iluminação, melhor seria a utilização de holofotes que possuem potência muitíssimo maior. A razão básica de seu uso está na necessidade de se estabelecer o canal de ligação entre matéria e espírito a partir da energia luminosa e da energia liberada pela chama do elemento – a vela – impregnado pelas vibrações mentais de quem a acendeu. Uma vela acesa sem mentalização não possui qualquer finalidade além da iluminação do ambiente. Em contrapartida, quando se mentaliza alguma coisa, a vela, em contato com a aura do mentalizador, recebe suas vibrações mentais e delas se impregna. Ao queimar, tais energias também são transportadas ao mundo etéreo e atingem, por fim, aquele a quem a concentração foi dirigida, estabelecendo, assim, o canal necessário à comunicação. 

            A vela acesa é, portanto, um veículo para a mentalização. Para uma melhor sintonia, devem ser acesas velas coloridas, na cor do Orixá a quem se destina e de acordo com a linha de Umbanda a que pertence. Ao se acender uma vela, está-se estabelecendo um canal mental e energético que terá a duração aproximada do tempo de duração da vela. Por isso, quando se deseja contatos espirituais mais prolongados, aconselha-se a utilização de velas de 3, 7 e 21 dias.
 

            Não é, todavia, apenas para os Guias que se pode acender velas. Também são aplicáveis quando se deseja fortalecer os laços com o Anjo de Guarda ou em intenção de algum egun que esteja desorientado. Que fique claro que não é a luz da vela que o iluminará, mas a prece que por ele for feita no momento do acendimento e que o alcançará, confortando-o e dando-lhe novas forças pelo menos durante o tempo em que estiver acesa, período pequeno para nós, encarnados, mas capaz de fazer íntimas e duradouras revoluções em corações amargurados.

          Velas para o Anjo da Guarda podem ser acesas em qualquer dia e horário. Velas para os Orixás devem ser acesas, preferencialmente, entre as seis da manhã e as nove horas da noite, pois, durante a noite, as vibrações mais abundantes no mundo material são mais densas e poderiam interferir – mesmo involuntariamente - no canal que estaria sendo estabelecido. Para eguns, aconselha-se acender velas, quando necessário, no cruzeiro das almas, por volta das cinco e meia da tarde, pois às seis horas, quando o egun ainda estará sob a atuação da prece, os mentores espirituais costumam visitar todos os templos, recolhendo aqueles espíritos perturbados que necessitam de socorro.

 

          Há restrições quanto ao local de acendimento de velas. Velas acesas em locais mais altos que a coroa da pessoa permitem que aquele a quem ela é destinada tenha acesso direto às energias emanadas do chakra coronário, podendo exercer maior influência e poder sobre o indivíduo. Por este motivo, fica clara a necessidade de se acender velas para o Anjo de Guarda e para os Orixás segundo este método.

 

          Diferentemente, as que são acesas abaixo da coroa, não favorecem tanto acesso daquele a quem se destina. São acesas dessa maneira as velas para o Povo de Rua, normalmente na altura do chakra umbilical ou no chão.

 

          Deve-se evitar o acendimento de velas para Xapanã (Omolu, Obaluaiê) dentro de casa, a fim de que energias de egun não entrem no recinto, pois tais Orixás têm afinidade com este tipo de espíritos. Por este mesmo motivo, inclusive, NUNCA se deve acender velas para espíritos desencarnados dentro do ambiente doméstico, ficando reservado para tal, como já exposto, o cruzeiro das almas.

 

         Também só se pode acender velas na praia se tal prática for realmente necessária pois, sendo lá a Calunga Grande, circula expressivo número de eguns, que poderiam se aproveitar das vibrações que estão sendo liberadas e se aproximarem da pessoa que a acendeu, trazendo perturbações energéticas para a mesma e prejudicando, inclusive, o canal energético já estabelecido entre a pessoa e o Orixá para quem seria acesa a vela.

 

          Ao acender uma vela em intenção de algum Orixá, aconselha-se colocar um copo com água ao lado da mesma para que, ao ser estabelecido o canal de ligação com o médium, o Guia possa captar as energias negativas que o cercam e depositá-las naquela água, a qual deve ser despejada em água corrente lentamente, sem agitações mecânicas, a fim de evitar a dispersão dos fluidos ali acumulados, tão logo a vela termine ou, no caso de velas de 3, 7 e 21 dias, a cada dia, periodicamente. Tal água nunca deve ser ingerida, a fim de se evitar que as energias negativas que foram retiradas sejam novamente absorvidas pela pessoa.

A CENTELHA DIVINA, por ser uma Missão Umbandista e por ter como referência a prática da caridade, do amor e do respeito ao próximo, seguindo as sagradas Leis de Umbanda, não exerce cobrança financeira de qualquer tipo, por qualquer atendimento ou trabalho realizado, bem com não realiza o sacrifício de qualquer animal, nem utiliza qualquer coisa de origem animal em seus rituais.