• TATA LUIS

DIZ-ME O QUE "POSTAS" E EU TE DIREI QUE TIPO DE UMBANDISTA ÉS!


Internet, Facebook, WhatsApp... Quanta tecnologia à nossa disposição! Há algumas décadas, para se falar rapidamente com alguém era preciso estar junto ou, pelo menos, escutar a voz ao telefone. Era preciso CONTATO! Hoje, com o avanço tecnológico, todos estão separados apenas pelo teclado do computador. E o que era para facilitar a comunicação, muitas vezes acaba atrapalhando. Não porque a comunicação seja mais rápida; mas porque nos facilita o anonimato! Não o anonimato literal, quando não apresentamos nosso nome (esse também!), mas principalmente o anonimato de imagem, de olhos nos olhos! Aquele anonimato que permite que falemos o que queremos sem termos que encarar de frente o outro. Aquele anonimato que permite que nos escondamos atrás de “posts” repletos de “indiretas” diretamente endereçadas a fulano ou beltrano... Aquele anonimato que permite que, na vida real, continuemos a ser considerados bonzinhos, enquanto que no mundo virtual continuamos a destilar nossos venenos...

O interessante é que, dentro do terreiro, durante os trabalhos e os atendimentos públicos, dedicamo-nos às nossas atividades espirituais e, normalmente, aceitamos de coração aberto todos os ensinamentos e orientações repassados pelos nossos Guias, reconhecendo neles o seu teor elevado e jurando para nós mesmos que procuraremos agir dessa forma dali por diante. Que pena que não conseguimos! Que pena que, na maioria das vezes, não levamos para a nossa vida particular (e para a virtual) o que aprendemos no terreiro... Que pena que, salvo exceções, continuamos a nos manter na posição de vítimas do mundo, da sociedade e da vida, sentindo-nos afetados, magoados, incompreendidos, atingidos, humilhados, irritados, preteridos e injustiçados quando as coisas não saem exatamente da forma como idealizamos ou quando alguém não nos trata como achávamos que merecíamos.

E aí, imbuídos desses sentimentos, pegamos o mouse e, ocultos pela “desobrigação” de olhar nos olhos e esclarecer as situações com cordialidade, tolerância e compaixão, esquecemos todas as lições dadas pelos nossos Guias e disparamos aqueles “posts” que nada tem de construtivos e que, apesar de não citarem nomes, são mais diretos e magoam mais que um “tapa na cara”. Se alguém “curte”, então, nos sentimos satisfeitos!!! Nosso ego foi massageado! “outros viram que tenho razão!”, pensamos...

Oras! A quem estamos querendo enganar? Será que Deus, nossos Guias e nosso próprio “Eu Superior” não tomam ciência do que se passa nos meios cibernéticos? De que adianta no mundo real sermos tolerantes e compassivos, e no virtual dispararmos nossos dardos de palavras envenenadas. Em qual desses momentos estamos sendo mais verdadeiros para conosco mesmos? Se a resposta para essa pergunta for “no mundo virtual”, então é sinal que não estamos aprendendo nada do que nossos Guias pregam; que mantemos a aparência de bonzinhos para não termos que encarar críticas ou olhares reprovadores.

“- Não tem o que dizer, fica de boca fechada!”,

“- Como tem gente chata!”,

“- Tem gente que gosta de tomar conta da vida dos outros!”,

E por aí vai... Essas são algumas frases que de vez em quando vejo pelos facebooks da vida.

Por trás da palavra “gente” que é geralmente utilizada, sempre há a intenção do nome de alguém. Aí, se perguntarmos a quem escreveu, ele falará: “- Nããão... Eu não disse o nome de ninguém! Se alguém se sentiu ofendido, o problema é dele!!!” Vamos e venhamos; isso não é hipocrisia? Para Deus, tem diferença entre citar o nome e ter a intenção? A quem se quer enganar? Qual foi o sentimento verdadeiro que motivou o “post”? Foi amor? Foi tolerância? Foi compaixão? Foi algo condizente com o que se ensina dentro do terreiro? É óbvio que não.

“A boca fala aquilo de que está cheio o coração”, já diz o ditado. Ou, em meios informáticos, “os dedos teclam aquilo que você é”. Tem pessoas que não gastam um único minuto para postar frases de otimismo ou de incentivo à compreensão, tolerância e perdão, mas passam horas postando frases que dizem o quanto elas são invejadas pelos outros, o quanto os outros querem seu mal, o quanto os outros são falsos, o quanto os outros são fofoqueiros, o quanto os outros são isso ou aquilo... Já diziam os mais velhos que os defeitos que mais vemos nos outros são os nossos próprios piores defeitos! De que, mesmo, devem estar cheios esses corações?

Tem outros tipos de “posts” que chegam ainda a ser mais ridículos, para não dizer tristes. São os que envolvem nossos Guias e Orixás nas nossas mesquinharias humanas, e que dizem coisas do tipo:

“Sua praga não pega em mim, porque sou do Orixá tal!”

“Cuidado comigo! Sou filho do Orixá fulano!”

“Não importa se a inveja tem sono leve; quem cuida de mim não dorme!”

“Não mexe comigo, que eu não ando só!”

... e outros que nem merecem ser comentados...

O fato é que a facilidade dos meios de comunicação atuais, se por um lado é positiva, por outro facilita o desrespeito, a falta de consideração e a falta de preocupação em não magoar o outro. Por isso, há algumas regrinhas básicas que deveriam ser observadas por todos que costumam usar as redes sociais e o WhatsApp (e que também deveriam ser seguidas na vida real). São elas:

  1. Antes de escrever, verifique se suas palavras são construtivas, se acrescentam alguma coisa de bom ou de útil; se não, não envie!

  2. Antes de escrever, verifique se suas palavras poderão magoar alguém; se sim, não envie!

  3. Antes de escrever, verifique se você não está, na verdade, falando coisas que não teria coragem de dizer pessoalmente; se sim, não envie! Procure o outro para conversar e esclarecer pessoalmente.

  4. Não envie nada enquanto estiver irritado. Espere passar. Espere até o dia seguinte, se for preciso. Quando estamos irritados, escrevemos ou falamos coisas das quais nos arrependemos depois.

  5. Releia com atenção sua mensagem antes de enviá-la, e veja se vale a pena mesmo enviar da forma como está escrita, ou se alguma palavra pode causar outra interpretação.

  6. Não responda a nenhuma provocação! Não entre em sintonia!

  7. Se recebeu uma mensagem que te irritou ou magoou, não responda logo que ler. Acalme-se primeiro, ou tente resolver pessoalmente.

  8. Ninguém precisa saber o quanto você se adora ou se acha superpoderoso. Então evite autoelogios ou frases de intimidação, dizendo que você "faz e acontece". Isso é chato e só destaca a sua prepotência, e pode, ainda, acabar irritando os outros.

  9. Lembre-se que palavras escritas não tem entonação. A mesma frase "Dê-me um pão" pode ser lida com sentido autoritário e pedante ou com sentido humilde ou desesperado, dependendo, na verdade, do humor de quem lê. Antes de responder a alguma mensagem de que não gostou, verifique se a intenção de quem escreveu foi realmente a que você entendeu, ou se, você é que não está em um bom dia, e atribuiu à frase lida uma entonação de acordo com o seu humor.

  10. E, por último, ao escrever, tenha atenção à pontuação. Erros de colocação de vírgulas e pontos podem mudar completamente o sentido da mensagem, e causar mal-entendidos. Há uma grande diferença, por exemplo, entre:

"MARIA TOMA BANHO QUENTE E SUA MÃE DIZ ELA JOGUE ÁGUA FRIA" e

"MARIA TOMA BANHO QUENTE E SUA. - MÃE - DIZ ELA - JOGUE ÁGUA FRIA!"

ou

"PEDRO NÃO, ACREDITO NELE!" e "PEDRO, NÃO ACREDITO NELE!"

Resumindo, o mais importante de tudo é lembrar que você não é umbandista apenas dentro do terreiro, mas em todos os momentos da sua vida. E ser umbandista significa fazer força para ser melhor a cada dia, vencendo a si mesmo e às suas deficiências conscienciais, seja no terreiro, seja na sua casa ou mesmo num bate-papo pela Internet ou pelo WhatsApp, procurando sempre semear tolerância, compaixão, compreensão, etc.

Seria interessante se aplicássemos no mundo virtual um pouco dessa oração que peço a licença do Irmão Simiromba (São Francisco de Assis) para poder adaptar aos tempos de “web”:

“Senhor, fazei de mim um internauta que dissemine a Paz!

Onde houver “posts” que incitem ao ódio, que eu publique frases de Amor!

Onde houver “posts” de ofensas contra mim, que publique frases de Perdão ou que eu não publique nada, para não parecer superior!

Onde houver “posts” de discórdia, que eu publique palavras que semeiem a união;

Onde houver “posts” de dúvida, que eu publique textos sobre o valor da fé;

Onde houver “posts” de apontam erros, que eu publique explicações que mostrem verdades, mas sem arrogância;

Onde houver “posts” de desespero, que eu não publique nada, mas que pegue o telefone e, com palavras, transmita a esperança;

Onde houver “posts” de tristeza, que eu conforte e publique frases de estímulo à alegria;

Onde houver “posts” que enalteçam as trevas, que, pelos meus atos, eu possa ser a luz.

Ó Mestre,

Fazei com que eu prefira nas redes sociais

Consolar ao invés de difamar;

Compreender ao invés de ofender;

Amar ao invés de julgar.

Pois é compartilhando coisas boas que se recebe boas vibrações,

É “curtindo” boas iniciativas que se incentiva ao bem,

E é “deletando” palavras amargas e desnecessárias que se mostra o compromisso com a evolução eterna!”

Amplexos,

TATA LUIS

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