• TATA LUIS

ALTER-EGO – NOSSA OUTRA FACE


Todos nós temos um "demônio" pessoal que habita dentro de nós! Não se trata, porém, de um espírito obsessor e nem de um acúmulo de energias negativas, mas daquilo que Jung denominava "Sombra", e nós da CENTELHA denominamos de "Alter-Ego" (outro eu), nossa outra face.

Durante toda a vida aprendemos o que é certo e o que é errado; o que é bom e o que é mau. Na medida do possível - e de acordo com a força de vontade individual -, vencemos ou não as paixões que nos identificam como espíritos ainda imperfeitos. Alguns defeitos, porém, não se consegue eliminar facilmente das almas, mas podem ser tão bem disfarçados que quase se chega a acreditar vencidos. Todavia, por mais que tentemos abafar tais imperfeições, caso não as tenhamos eliminado definitivamente, permanecerão em algum lugar do nosso subconsciente, prontas para, ao primeiro sinal de fraqueza, eclodirem e voltarem à tona em nossos sentimentos. É justamente essa a luta que todos os que se preocupam com o próprio aperfeiçoamento travam a todo momento; a batalha pessoal entre a sua mente consciente ou a sua razão e os seus piores sentimentos e paixões. Alguns chamam o "Alter-Ego" - essa "personalidade" que tentamos ocultar - de “lado negativo” ou “lado negro”.

O Alter-ego é, em suma, o acúmulo de nossas próprias imperfeições; o somatório dos defeitos que ainda não conseguimos extirpar ao longo de nossas inúmeras encarnações: nossos medos, angústias, complexos, vícios, paixões, etc. Caracteres de imperfeições que ainda devem ser burilados, trabalhados, domados e eliminados, caso se deseje atingir graus de evolução espiritual mais elevados. Não se trata de acúmulos de energias negativas e nem de qualquer tipo de obsessor espiritual, uma vez que não se trata nem mesmo de um espírito, mas de parte de nós mesmos. Pode-se sim, caso se deseje, classificar a atuação do Alter-ego como uma atividade auto-obsessiva, tendo em vista que a origem e o foco de sua atuação é a própria pessoa obsediada.

Durante toda a nossa vida confrontamos-nos com situações que nos põem à prova e despertam sentimentos negativos que temos guardado em algum ponto de nossa mente: ódio, preguiça, inveja, gula, etc. Quando nos deixamos levar por esses tipos de sensações, sucumbindo às paixões, alimentamos a força de atuação do nosso Alter-Ego sobre nós. Na próxima vez em que estivermos frente ao mesmo tipo de situação será mais difícil vencermos aquele tipo de paixão despertada e, em conseqüência, nosso alter-ego. Se, ao contrário, lutamos contra os sentimentos negativos, minamos a força de atuação do nosso alter-ego sobre nós, de forma que ao nos depararmos futuramente com situações parecidas, não teremos tanta dificuldade em lutar contra aquele tipo de sentimento negativo. Sendo assim, o segredo é "lutar sempre"; caso contrário, vai ficando cada vez mais difícil vencê-lo!

Dessa forma, por depender de nós e de nossa luta contra as paixões a sobrevivência - ou não - do nosso Alter-ego, bem como a força com que ele consegue atuar sobre nós, é natural que “ele” tente nos convencer a todo momento que devemos dar vazão aos nossos sentimentos negativos, pois, somente assim, sua sobrevida é maior. O dia em que vencermos todas as nossas paixões, o nosso alter-ego deixará de existir, pois não teremos mais qualquer tipo de sentimento negativo que o alimente.

Durante todas as nossas encarnações vimos lutando contra esse inimigo oculto que se esconde em nós mesmos e que é parte de nós. E ainda permaneceremos nessa luta por bastante tempo e por muitas encarnações.

Por fazer parte de cada pessoa, é possível a qualquer um estabelecer contato com o seu Alter-Ego sempre que quiser, como se fosse um indivíduo a parte, ou uma outra personalidade; afinal ele está dentro de nós, ao nosso alcance! Pode-se inclusive, dar ao “lado negro” a oportunidade de compor aparência humana em nossa mente. Basta que se deseje. Com treino, pode-se criar um código de comunicação entre ele e a mente consciente, de forma que se possa “chamá-lo” sempre que se quiser dialogar ou aprender mais sobre si próprio. Mas é preciso exercício mental e um bom auto-controle para obter essa comunicação entre a mente consciente e o Alter-Ego, situado em algum dos níveis do sub-consciente. Uma vez obtida, a conversa, então, se dará de modo análogo às cordiais conversas entre amigos.

Apesar de parecer estranho, a conversa com uma parte de nós mesmos que tentamos esconder, ocultar e até dominar pode trazer bons resultados! Devemos lembrar que essa "parte de nós" também quer o nosso bem-estar e a nossa felicidade, afinal É PARTE DE NÓS! E, por isso, pode nos facilitar a visão de soluções práticas para problemas do nosso dia a dia, já que ela trabalha a um nível subconsciente, capaz de entender situações e mensagens subliminares do nosso cotidiano, que nossa mente consciente não consegue enxergar. Algumas observações, porém, devem ser atendidas: o Alter-Ego pode ser evocado à vontade; porém, apesar da intimidade existente entre ele e a mente consciente, nunca, em hipótese alguma, deve-se pedir-lhe conselhos que abranjam questões de ordem moral pois, não sendo mais que o nosso lado negativo, certamente, só estará apto a dar conselhos de caráter duvidoso e até mesmo imorais. Além disso, quase sempre o Alter-Ego tenta convencer o incauto de que a sua opinião é a mais correta.

Nos primeiros contatos, é comum que o Alter-Ego faça alguns testes. Ele tentará descobrir até onde a força de vontade consciente é suficientemente grande para vencer as tentações das paixões que lhe apresentará. Tentará convencer que pode ajudar caso haja algum tipo de retribuição ou caso seus conselhos morais sejam seguidos. Nunca se deve aceitar acordos ou imposições desse tipo, pois, caso contrário, o Alter-Ego se fortalecerá no inconsciente do indivíduo e, sem que perceba, a pessoa começará a agir como ele, trazendo novamente para a sua vida aqueles defeitos que se esmerou por banir (orgulho, vaidade, luxúria, ira, gula, preguiça, egoísmo...).

Com o tempo, o alter-ego revelará o seu nome, uma espécie de senha ou palavra de acesso; uma chave pessoal capaz de estabelecer um contato instantâneo entre a mente consciente e a parte do inconsciente onde ele se encontra. Esse nome nunca deve ser revelado a ninguém, pois quem o souber também terá acesso ao lado negativo do indivíduo quando pronunciar essa palavra próximo a ele. Nesse caso, o Ater-Ego, como uma segunda personalidade, poderá, inclusive se manifestar através da pessoa.

De modo geral, seguindo essas precauções, o contato com o Alter-Ego pode ser até bastante produtivo, pois ele estará sempre disposto a mostrar qual o melhor caminho para o progresso material (não o moral, repito), e poderá até mesmo prevenir de algum obstáculo ou perigo ao caminho.

Este é o "demônio pessoal", aquele a quem tentamos vencer a todo instante. Todos têm o seu, e todos os que estiverem dispostos a se elevar espiritualmente ou auxiliar a evolução da humanidade terão que enfrentá-lo e vencê-lo, pois somente vencendo as próprias paixões é que se consegue o progresso do espírito. Buda passou 40 dias e 40 noites meditando e jejuando sob a copa de uma árvore. Nesse período enfrentou suas más tendências, suas inseguranças e pensamentos negativos, conseguindo a iluminação. O próprio Cristo teve o seu demônio pessoal que o tentou e pôs à prova todas as suas virtudes durante o exílio e o jejum de 40 dias e 40 noites no deserto. Cristo o venceu! Não aceitou quaisquer imposições e não se deixou levar pelas paixões que se lhes foram apresentadas. Ao vencê-lo, conseguiu extirpar de si todos os sentimentos negativos, o que se fazia necessário face à missão que iniciaria logo após o jejum.

Embora nenhum de nós seja semelhante a Jesus ou a Buda, todos temos nosso Alter-Ego a ser vencido, e cabe somente a nós e ao esforço que empregamos em nossa caminhada aprendermos a domá-lo, sem jamais permitirmos que seja ele o nosso dominador!

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