• TATA LUIS

DEFICIÊNCIAS FÍSICAS E MENTAIS


O texto abaixo não é meu! Foi retirado do livro “O Que Encontrei do Outro Lado da Vida”, psicografado pela médium Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho e narrado por uma mulher desencarnada chamada Aparecida. Transcrevi-o porque foi o texto onde identifiquei as explicações mais lúcidas e completas acerca das deficiências físicas e mentais. Grifei vários trechos para chamar a atenção para citações importantes e que merecem reflexão. Vale a pena ler:

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“Havia algum tempo pensava na morte. Sentia que iria morrer dentro de pouco tempo, que meu corpo ia desfalecer e que partiria. Comecei a me preocupar, iria fazer falta tanto ao meu companheiro, tão idoso quanto eu, como ao meu filho deficiente mental. Mãe pensa sempre que é insubstituível.

Preocupada, amargurada, não falei com ninguém da intuição que recebera, que iria voltar logo à pátria espiritual. Meus problemas com doenças se agravaram. Conhecia pouco a Doutrina Espírita, da qual era simpatizante. Comecei a interessar-me mais pelo espiritismo e quis saber como era a vida após a morte. A idéia da separação entristecia-me e queria ficar, principalmente por meu filho doente.

Um dia, uma das minhas filhas levou-me para tomar passe com um senhor, José Carlos, que estava na casa de sua amiga. Já o conhecia e recebera em outras ocasiões, seu passe. Naquele dia, aproveitando que fiquei a sós com ele, indaguei:

-Como é morrer, José Carlos?

José Carlos sorriu, tranqüilo, transmitindo-me conforto. Ele entendeu-me e, inspirado por seu mentor, falou esclarecendo-me:

-Dona Aparecida, ter o corpo morto é o começo de outra forma de viver – a espiritual. O corpo da senhora morrerá quando chegar a hora e nesse instante deverá estar tranqüila e com o pensamento em Jesus. A vida desencarnada começa com uma grande mudança, partimos só com nossos conhecimentos e obras. A senhora ao desencarnar deverá ser levada a um local de socorro, não pense que será o Céu, mas uma das casas do Pai. Lá se lembrará de todos os seus familiares e amigos, de sua casa, sentirá falta deles, saudade. Porém, desde já, deve entender que não tem retorno, o corpo morre e não se deve voltar a casa, ao lar, sem permissão. Aceitando, tudo fica mais fácil e deverá esforçar-se por acostumar. Recordo à senhora que ninguém é órfão do amor de Deus. Seu filho, antes de ser da senhora, é filho de Deus; por que não confia no Pai? Sua deficiência deve ter uma causa justa, não se prenda a ele, não é bom para ninguém. E, se ele passar pela orfandade de mãe, deverá ser outro aprendizado de que necessita. Outras pessoas o amarão e cuidarão dele, por seu amor.

Esses esclarecimentos claros e objetivos fizeram-me grande bem.

Minha doença se agravou, prendendo-me ao leito. Foi necessária uma cirurgia na qual amputaram meu pé.

Passei por estranhos momentos, via pessoas desencarnadas que me animavam, pedindo que tivesse calma. Ouvia conversas de encarnados, médicos, enfermeiras e de familiares. Meu cérebro não reagia ao meu comando. Sabia que cortaram meu pé e, se sarasse, não iria mais andar, como também, se melhorasse, certamente iriam ter de cortar o outro. Orei com fé, pedi a Deus proteção ao meu filho, à família e, se fosse possível, que desencarnasse.

Senti melhor, dormi muito tempo, um sono agradável do qual só despertava vagamente pelo choro das minhas filhas.

Quando despertei realmente, senti-me bem e feliz. Sentei-me no leito e observei o local em que estava. Era uma enfermaria; então me lembrei com precisão dos ensinamentos do Sr. José Carlos. Por momentos parei de sorrir, logo depois voltei a fazê-lo.

“Devo agir como ele me recomendou, pensei. Se meu corpo morreu, foi para melhor”.

Logo depois, uma enfermeira bondosamente esclareceu-me as dúvidas: havia realmente desencarnado.

-Meu pé? – quis saber, vi-o, mexi com ele. – Parece-me bem, não o cortaram?

-Cortaram o pé do seu corpo de carne.

-Hum! – exclamei, estranhando, mas dando graças a Deus por tê-lo perfeito, e ainda mais sem dores.

-A senhora não deve pensar que não o tem. Seu perispírito é perfeito e continuará sendo se assim o quiser ou pensar.

-Quero ter meu pé e andar! – falei com convicção.

O período da adaptação não foi fácil, senti muita falta de minha casa, do meu esposo, dos filhos e netos. O tempo passou. Para entender a vida desencarnada estudei e tenho estudado, passei a ser útil, vivo contente, principalmente por que posso sempre vê-los e abraçá-los. O Sr. José Carlos tinha razão, meu filho está bem, é cuidado com muito carinho por amor a mim e a ele também. Não posso dizer que não dá trabalho, mas a vida continua e sei que estarei com ele um dia. Ao pensar nesse encontro, fiquei a imaginar como ele voltaria, aqui também seria deficiente? Indaguei ao meu instrutor que gentilmente me esclareceu:

-Dona Aparecida, cada caso é um caso na espiritualidade. Seu filho teve o cérebro lesado por influência de seu perispírito doente, doença provocada por ele mesmo, numa vida anterior, pela embriaguez.

O instrutor fez uma pausa e recordei parte do meu passado. Vi meu filho em outro corpo, embriagado, destruindo o corpo perfeito que Deus havia lhe dado. Vi também que eu fora uma das causas de sua perdição.

O instrutor tirou-me das lembranças e continuou a esclarecer:

-Nesta existência tem ele, na humildade e na aceitação, a purificação do seu perispírito. Quando desencarnar, ele poderá ser socorrido, trazido a uma colônia e, após um tratamento em um dos nossos hospitais, se reabilitará e se tornará sadio.

-Que bom!-exclamei.

-Porém, não é com todos os deficientes que acontece esse fato. Muitos, não tendo o corpo físico perfeito, se revoltam e não acham justo seu sofrimento. Alguns desencarnam com o perispírito tão doente quanto o corpo, e poderão reencarnar ainda deficientes, embora com deficiências mais suaves.

O assunto interessou-me muito e, sempre que possível, indago sobre ele. Conversei, converso com pessoas que quando encarnadas foram deficientes, ou que tiveram partes do seu corpo físico extirpadas, para saber o que sentiram e como voltaram ao plano espiritual. Por ser interessante, narro a vocês.

Os que sofrem com resignação têm no corpo doente a cura do espírito. Pessoas boas, independentemente de religião, pessoas que têm consciência tranqüila, do dever cumprido, têm o socorro ao desencarnar. E deficiência não é motivo para socorro, só são socorridos os deficientes que foram bons. Os que se revoltaram, foram maus, muito erraram, desencarnam e continuam deficientes, às vezes, em estado pior.


Conversei com uma senhora que quando encarnada foi cega por trinta e oito anos. Foi revoltada e cometeu muitos erros, desencarnou e ficou mais quinze anos cega, vagando pelo Umbral. Cansada de sofrer, arrependeu-se, foi socorrida e levada por

benfeitores a uma incorporação num centro espírita onde, com fluidos de encarnados, pôde sanar a cegueira. Há muitos casos parecidos de pessoas que, ao desencarnar, continuam sofrendo com suas deficiências e, ao serem socorridas, são levadas a uma incorporação, em que é mais fácil se tornarem sadias pela doação de fluidos de encarnados. Outras, socorridas, são internadas nos hospitais daqui e curadas com passes e tratamento.

Para as pessoas boas, tudo é mais fácil. Como o caso de um senhor que conheci encarnado, era cego também, de nascença. Pessoa boníssima, ele trabalhava para seu sustento, benzia, curando e ajudando as pessoas, com suas orações. Contou-me que sua desencarnação foi como dormir; ao acordar, abriu os olhos e enxergou, embora visse tudo embaralhado. Gritou de felicidade. Um médico do hospital para onde fora levado lhe explicou sua situação de desencarnado, aplicou-lhe passes e ele passou a enxergar nitidamente. Foi uma grande emoção, ele adorou ter desencarnado; é hoje um grande benfeitor e disse que sua cegueira levou-o a caminhar para o progresso, o que não fez enxergando. Ele é feliz.

Conversei com um rapaz que foi encarnado paralítico. Com dificuldade, movia somente a cabeça e as mãos. Encarnou assim e desencarnou na adolescência. Falando de sua vida, contou-me que destruiu na outra existência seu corpo perfeito num suicídio consciente, pulando de um penhasco; o remorso impediu-o de reconstituir o perispírito. Sua mãe nesta encarnação o fora também na outra. Excelente mãe em ambas encarnações, ao saber que ele ia encarnar deficiente pediu, implorou, para que fosse sua mãe novamente: ela não confiava o filho a ninguém. Encarnou em família espírita, teve todo apoio e carinho. Sofreu muito como encarnado, dores e tristezas, mas não se revoltou. Desencarnar para ele foi maravilhoso, dormiu para acordar aqui entre parentes e amigos. Logo que tomou conhecimento de sua desencarnação, pôde se mexer, e com algumas horas de tratamento, quando lhe foram anuladas as impressões do corpo físico, pôde andar, correr. Hoje, anos depois, ele ainda gosta de correr pelos jardins, pular e dar piruetas. E terminou contente sua narração, falando que aprendera a dar valor ao corpo físico e que é muito feliz por Deus ser Pai Amoroso, não punindo pela eternidade erros de momento.

Conversei com muitos que foram deficientes enquanto encarnados: surdos, mudos, aleijados ou débeis mentais. Os bons foram socorridos de imediato e, após tratamento, tornaram-se sadios. Os que vieram com más ações, os desprovidos de merecimentos, sofreram, vagaram como outros quaisquer que fizeram as mesmas ações más. Todos agora dão muita importância ao aprendizado que tiveram e dão muito valor à benção do corpo físico sadio.

Também me interessei por pessoas que tiveram, como eu, partes do corpo amputadas, e algumas viveram anos assim encarnadas. A primeira impressão que tiveram ao desencarnar é que continuavam sem o membro extraído.

Alguns conscientes de que o perispírito era normal, assim se tornaram. Outros, ao serem socorridos, necessitaram de um tratamento psicológico para que fosse reconstituído o membro que faltava.

Em casos de criança e adolescentes, a reconstituição é mais fácil, por não estar enraizada a falta do membro, mesmo que a anormalidade tenha sido de nascença. Crianças e jovens aceitam sugestões mais facilmente, tornando-se perfeitos em curtos períodos.

Tive notícias de alguns deficientes encarnados que, ao desencarnar, tornaram-se rapidamente normais, sadios, pois tiveram consciência do porquê e para que foram deficientes, viveram no bem e para o bem. Tudo indica que saber, conhecer, torna tudo mais fácil. É isso o que a Doutrina Espírita nos dá e tantos repelem.

Conheci um homem no tratamento psicológico que, encarnado, teve o corpo perfeito. Desencarnou e o remorso fez com que seu braço direito desaparecesse. Quando encarnado, num impulso de raiva, surrava sua mãe; ela caiu, bateu a cabeça e desencarnou. O fato foi dado como acidente, ele viveu muitos anos ainda encarnado. Quando desencarnou, sofreu muito no Umbral por esse e por outros erros. Quando o remorso o visitou, não quis o braço direito, e este desapareceu; socorrido, faz tratamento na colônia. Se encarnar assim, o feto, o corpo de carne, não terá o braço. Às vezes, ele se esforça e começa a reconstituir o braço mas basta lembrar desse fato para este desaparecer novamente. Meu instrutor disse-me que ele levará tempo ainda para se refazer, para depois poder reencarnar. O livre-arbítrio é respeitado; mesmo conhecendo as dificuldades, ele poderá repelir o braço e encarnar sem ele.

Como este caso, são muitos os que sabemos por aqui. Quantos que enxergavam enquanto encarnados, ficam cegos quando desencarnados, pelo remorso de ter prejudicado a outros ou por terem usado sua visão para o mal.

E assim são muitos que escutavam e tornaram-se surdos, falavam e emudeceram, inteligentes passaram a débeis mentais. Quem não dá valor ao corpo perfeito pode ter no imperfeito uma profunda lição. E quem aprende torna-se são; quem negligencia e erra mais de novas lições se faz merecedor.

Com todos que conversei há uma explicação justa para sua deficiência. E os deficientes resignados boas surpresas terão ao desencarnar. Porém, os que acham que suas deficiências lhes darão crédito, decepcionam-se. Porque não é o Pai Amoroso que nos faz imperfeitos, doentes. Nós, pelos nossos erros, causamos as deficiências. É pelo sofrimento, pela aceitação, pela compreensão que nos curaremos novamente e nos tornaremos sadios.

Bendito seja o Pai pelas grandes lições que temos e por podermos, com um corpo deficiente, reparar erros que em muitas crenças nos trariam o castigo eterno. Alegria!

Aparecida.”

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