• Tata Luis

NOS BASTIDORES DAS RELIGIÕES MEDIÚNICAS


Você já parou para pensar em como são as religiões mediúnicas vistas de outro ângulo, “de lá pra cá”? Sobre o que acontece no mundo espiritual para que elas sejam como são; ou sobre como os espíritos que conhecemos pela nossa mediunidade se organizam e trabalham do lado de lá para construí-las e moldá-las às nossas necessidades? Pois é! É isso que vamos conversar a partir de agora.

A Umbanda não é a única religião que se expressa através da mediunidade. Outras, de formas diferentes, também o fazem, como o Candomblé, o Catimbó, o Terecô, a Pajelança, o Jarê, a Encantaria e até mesmo o kardecismo. Algumas dessas correntes são mais conhecidas no norte e nordeste do Brasil; outras mais nas regiões sudeste e sul. Mas, o mais importante é que, apesar de todas elas utilizarem o mediunismo, elas NÃO SÃO a mesma coisa! Cada uma delas tem a sua própria identidade, que é fundamentada tanto em uma estrutura material - que percebemos pela sua organização física, pela forma como os ritos são realizados nos templos e pela maneira como a própria religião é praticada -, quanto em uma estrutura espiritual, que é algo que NÃO VEMOS, porque acontece nos bastidores, no mundo espiritual, longe dos olhos da matéria. Como falamos lá no início, não vamos conversar nesse texto sobre os ritos e as práticas visíveis. Vamos voltar a nossa atenção justamente ao que acontece no mundo espiritual, fora do alcance de nossa visão, nos bastidores das religiões mediúnicas, na parte espiritual propriamente dita. Mas, umbandistas que somos, e tendo consciência de nosso lugar, de nossa limitação e falta de autoridade para falar sobre como as outras religiões funcionam no mundo espiritual, preferimos nos ater a explicar o que acontece NOS BASTIDORES DA UMBANDA, cabendo-nos relembrar, em todos os instantes do texto, que a forma como as outras religiões se organizam fora da matéria foge ao nosso conhecimento e que, por isso, é possível que haja religiões que, nos bastidores, se assemelhem à forma como a Umbanda é organizada, e outras que sejam bem diferentes. Seus praticantes é que devem saber!

Em relação à Umbanda, há quatro pontos que são de fundamental importância ao entendimento:

  1. A religião de Umbanda é uma religião extremamente organizada no mundo espiritual, e os espíritos que nela trabalham, além de assumirem compromisso e responsabilidade com sua filosofia e métodos de trabalho, também obedecem a uma rígida hierarquia estruturada em falanges de trabalhadores, onde espíritos mais adiantados orientam, e os menos adiantados obedecem, afinal é sempre preciso haver ORDEM para que haja PROGRESSO.

  2. Os espíritos que trabalham na Umbanda atendem a determinados pré-requisitos mínimos em termos de moral e consciência. Não é qualquer espírito que pode começar a baixar nos templos umbandistas dizendo-se “Caboclo”, “Preto-Velho” ou qualquer outro Guia de Luz.

  3. Os nomes, comportamentos e aparências que os espíritos que entendemos por nossos Guias utilizam são apenas vestimentas transitórias adotadas por eles enquanto estão exercendo a função de FALANGEIRO de determinado Orixá ou de um grupo de trabalho. Esses espíritos progridem constantemente e mudam de falange, assumindo, também, outro nome e outra aparência, enquanto que outro espírito, vindo de posição mais abaixo, passa a ocupar aquela função deixada ociosa pelo espírito que progrediu, passando a usar o mesmo nome e aparência que ele utilizava. E, tudo isso, seguindo um planejamento de progressão muito bem estabelecido, baseado no aprendizado e na competência de cada um.

  4. Na Umbanda, existem espíritos guardiões que trabalham como soldados na defesa dos templos e das pessoas, mantendo a ordem espiritual e impedindo que espíritos impostores e inabilitados ao trabalho nos terreiros – também chamados “Quiumbas” – finjam ser Pretos-Velhos, Exus ou qualquer outro falangeiro de Umbanda, embora possa haver, eventualmente, falhas nas defesas espirituais de um terreiro, possibilitando a ação desses espíritos enganadores.

Resumindo, a Umbanda funciona da forma como é porque, no mundo espiritual, ela se baseia em HIERARQUIA E ORDEM, ATUAÇÃO SOMENTE DE ESPÍRITOS CAPACITADOS, PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS e POLICIAMENTO DOS GUARDIÕES. Mas isso é A UMBANDA! Em outras religiões mediúnicas, é possível até que haja organizações semelhantes e bem estruturadas mas, como não temos competência e nem conhecimento para discorrer sobre elas, não podemos nem afirmar que todas sejam assim e nem descartar a possibilidade de haver correntes menos organizadas, ou até mesmo completamente desestruturadas no mundo espiritual. O que podemos garantir é que NÃO É TUDO A MESMA COISA! Umbanda é Umbanda, e cada uma das outras correntes é uma religião diferente; construída, estruturada e conduzida também de forma diferente. Se fosse tudo igual e com a mesma forma de estruturação espiritual, teriam todas o mesmo nome e seriam a mesma religião!

E aí, muitos podem perguntar: “e como pode haver uma religião mal organizada ou até mesmo desestruturada no mundo espiritual?” E a resposta é muito simples! Tanto no mundo material como no espiritual, as coisas são conduzidas e organizadas por espíritos – encarnados ou desencarnados – e, independente de seu estado corpóreo ou não, há uma infinidade de consciências julgando-se superiores e mais capacitadas do que realmente são, e que, por interesses diversos, podem desejar dar início a qualquer tipo de movimento espiritual e ainda conseguirem atrair seguidores, iludidos pela sua representação teatralizada ou pelas promessas fabulosas que fazem. Espíritos bem-intencionados ou mal-intencionados, sábios ou ignorantes, verdadeiros ou impostores há em todos os lugares e são livres para fazerem o que quiserem (até criar religiões). Só terão que, mais tarde, colher os frutos de suas ações, da mesma forma que aqueles que tiverem resolvido segui-los.

Considerando, portanto, a existência de uma religião mediúnica arquitetada dessa forma desordenada, em seus bastidores espirituais as coisas devem acontecer de maneira diametralmente oposta à forma como acontecem nos bastidores da Umbanda; sem organização, sem hierarquia, sem ordem, sem policiamento espiritual e, por isso, com qualquer espírito podendo baixar e fazer o que quiser. Lembramos aqui, que não estamos nos referindo diretamente a esta ou àquela corrente religiosa específica (Catimbó, Jarê, Encantaria e outras), mesmo porquê, como dissemos, não temos competência para avaliar o modo como elas são organizadas no mundo espiritual; mas temos o dever de alertar que NEM TUDO O QUE SE VÊ É REAL, “nem tudo o que reluz é ouro” e, como dizia Kardec, é preciso sempre observar, questionar e raciocinar sobre o que obtemos de informações do mundo espiritual, procurando “reconhecer a árvore pelos seus frutos”.

Assim, comparando com os quatro pontos citados anteriormente e que sustentam a Umbanda em seus bastidores, o primeiro item que faltaria em uma corrente religiosa desorganizada seria a HIERARQUIA e ORDEM. Como dissemos, na Umbanda os espíritos assumem funções dentro de falanges de trabalho estruturadas com base no conhecimento, competência e nível consciencial de seus falangeiros. Em cada falange trabalham centenas de espíritos muito bem organizados e empenhados no mesmo ideal. Há ordem hierárquica dentro de cada uma delas e também entre as falanges, onde os espíritos mais adiantados orientam e os menos adiantados acatam as orientações. Devido à essa organização, a bandeira da Umbanda é única, com TODOS os espíritos seguindo a mesma filosofia e convergindo as orientações, conselhos e ações para a caridade, o amor e o perdão. Já em correntes religiosas sem esse tipo de ordem, além de não haver a estruturação em forma de falanges, haveria também a possibilidade da NÃO-CONVERGÊNCIA doutrinária, com cada espírito falando, orientando, ensinando e agindo como bem quisesse, sem o compromisso com a verdade, com a caridade, amor, perdão e demais valores positivos, mas sim de acordo apenas com as suas próprias convicções pessoais. Seria possível ver em um templo um espírito aconselhando ao perdão e, no mesmo templo ou em outro da mesma religião, outro espírito ensinando a vingança, a amarração, a “queimação” e até fazendo trabalhos de magia contra alguém. Comportamentos desse tipo refletiriam, sem dúvida, a falta de unidade moral e filosófica e, portanto, uma religião desordenada espiritualmente.

Antes de prosseguir, vale lembrar que se, por um acaso, esse tipo de comportamento também for observado em qualquer templo de Umbanda, poderemos ter a certeza de que aquele templo está momentaneamente com problemas espirituais, e as brechas vibratórias estão permitindo a atuação de quiumbas, pois atuações desse tipo, quando acontecem em terreiros umbandistas, são pontuais, específicas, e NÃO SÃO REGRA, ao contrário do que aconteceria em uma corrente espiritual desorganizada, sem hierarquia e sem ordem.

Um outro ponto bem divergente entre a Umbanda e uma corrente espiritualista não organizada seria o próprio perfil dos espíritos trabalhadores. Na Umbanda, para um espírito ser um de seus falangeiros, há requisitos MORAIS e CONSCIENCIAIS que minimamente devem ser atendidos. Ou seja, não é qualquer um que pode baixar no terreiro se dizendo Preto-Velho “Fulano”, Caboclo “Beltrano” ou Exu “Sicrano”. Com isso, salvo os casos em que quiumbas conseguem se infiltrar nos templos umbandistas aproveitando alguma brecha vibratória, TEMOS A GARANTIA de que na Umbanda SEMPRE encontraremos espíritos bem-intencionados e comprometidos com a verdade, e que podem ainda não saber tudo, mas desejam ajudar e jamais farão qualquer coisa que possa prejudicar alguém. Essa garantia é determinada não só pela forma como as falanges de trabalho são organizadas, mas também por esses REQUISITOS MÍNIMOS morais e conscienciais que devem ser atendidos. Já em uma corrente desorganizada, sem ordem e sem hierarquia, não haveria qualquer tipo de triagem ou classificação e, por isso, qualquer espírito poderia julgar-se competente e capacitado, tendo ele condições morais e conscienciais OU NÃO e, a partir daí, poderia resolver entrar nos templos dessa corrente religiosa, aproximar-se dos médiuns e começar a trabalhar e dar seus conselhos, sem que nada e nem ninguém o impedisse, já que nessa religião não haveria hierarquia, convergência de ideais e nem requisitos mínimos para o espírito poder trabalhar.

Como consequência dessa desorganização, com qualquer tipo de espírito podendo participar de seus cultos, seria possível, por exemplo, encontrar trabalhando nessa religião espíritos que foram impedidos de se manifestar na Umbanda devido aos seus baixos níveis de moral e consciência e que, nessa outra corrente, por não haver ordem e nem disciplina, estariam livres para insistir na representação de “espirito de luz” e utilizar, inclusive, o nome e a personificação de falangeiros conhecidos da Umbanda, sem que nada e nem ninguém se opusesse a isso, já que nesse tipo de corrente não haveria ordem a seguir e nem ninguém com o “poder de polícia” para impedir ações de espíritos mal-intencionados. E isso é tão real que, até na Umbanda, onde há aquela grande estrutura organizacional por trás - e mesmo com a ação vigilante dos nossos Guardiões -, vez ou outra, quiumbas podem encontrar brechas e começar a atuar, enganando médiuns e seguidores. Imagine não havendo qualquer tipo de oposição a sua manifestação...

Aliás, esse é outro ponto que chama atenção: Na Umbanda, quem garante a segurança contra a atuação de quiumbas e vigia para que toda a organização espiritual seja obedecida são os nossos Exus Guardiões. Em religiões não organizadas, não há ninguém com esse “poder de polícia”, com força impositiva e coercitiva, já que não há regras e nem condutas pré-definidas a serem seguidas. É possível até que, não havendo ninguém a garantir a segurança, espíritos que na Umbanda seriam considerados quiumbas, em correntes desse tipo assumam até nomes de Exus conhecidos em nossos terreiros, e se façam acreditar como tais.

Sendo assim, não podemos garantir que espíritos que utilizem o mesmo nome na Umbanda e em outras religiões sejam exatamente os mesmos; afinal, no mundo espiritual NÃO HÁ o patenteamento de denominações. Sabemos que, na Umbanda, para um espírito usar um determinado nome, ele, necessariamente, além de possuir determinado nível de moral e de consciência, deverá também estar trabalhando na falange que utiliza aquela denominação. Já em outra corrente espiritualista desorganizada, não havendo hierarquia e nem subdivisão por falanges, é possível que cada espírito use o nome que quiser ou, pior, que QUALQUER espírito, capacitado ou não, use o nome que quiser. E não haverá ninguém a impedir, já que ninguém é proprietário de nome nenhum.

Espíritos que baixam como Cabocla Jurema ou Zé Pelintra, ou como qualquer outro falangeiro na Umbanda, por exemplo, podem não ser os mesmos que lá na outra corrente baixam utilizando os mesmos nomes. Na Umbanda, nós conhecemos o caráter, a índole e as intenções desses espíritos, porque sabemos que há uma grande organização espiritual por trás, e que determina os métodos da religião e as condições mínimas para um espírito passar a ser falangeiro umbandista; mas não temos competência para julgar se os que baixam lá naquela outra corrente têm condições morais - ou não - de serem Guias amparadores. A estrutura organizacional umbandista, portanto, é que nos sustenta e dá a garantia de que podemos confiar na Cabocla Jurema e no Zé Pelintra que baixam em nossos terreiros, e a certeza de que eles NÃO SÃO qualquer espírito e que, minimamente, atendem aos pré-requisitos morais e conscienciais necessários para serem considerados Guias de Luz. Mas não podemos falar pelos outros. Os religiosos de cada corrente é que devem saber de si!

Talvez isso explique o porquê de o comportamento de espíritos homônimos variar tanto da Umbanda para outra corrente. Na Umbanda, aquele espírito aconselha, orienta e protege; na outra corrente, um espírito usando o mesmo nome não se poupa de ameaçar, “queimar”, “amarrar” e enfeitiçar. Seriam os mesmos espíritos? Bem provável que não! Afinal, reconhece-se a árvore pelos frutos, e o comportamento e a moral de um espírito revelam seu verdadeiro grau de evolução.

Em resumo, nós podemos entender, garantir e explicar a atuação dos falangeiros de Umbanda DENTRO da Umbanda. Se, em outras correntes há a manifestação dos mesmos espíritos ou não, não podemos garantir. É possível que sim, que eles mesmos também trabalhem em outras organizações religiosas; mas também é possível que NÃO! Que, dependendo do segmento especificamente, espíritos impostores utilizem o seu nome e se façam passar por nossos Guias. Por isso, preferimos restringir nossos comentários à forma de atuação de nossos Guias DENTRO dos nossos terreiros, e atestamos nossa incompetência em poder garantir que aquele mesmo Guia de Umbanda seja também Mestre de Jurema, Encantado do Terecô, Catimbozeiro, isso ou aquilo. Afinal, esses títulos NÃO SÃO referentes à Umbanda e, por isso, NÃO nos interessam! Eles se referem a algo acontecido em outras correntes, organizadas e estruturadas no mundo espiritual de forma diferente da nossa, e não dizem respeito nem a nós e nem a nenhum de nossos Guias, enquanto trabalhadores da Umbanda.

Somos da teoria que “uma religião não tem capacidade para explicar a outra” e, por isso, nos concentramos no entendimento dos bastidores apenas da Umbanda. Se outras religiões, em seus bastidores, funcionam de forma diferente, cabe somente aos seus seguidores a devida análise! O que não podemos é querer generalizar e misturar as coisas, achando que os atores de lá e os de cá são sempre os mesmos. Às vezes as cenas podem até ser parecidas, mas o que corre nas coxias daquele teatro – sabe Deus -, assombraria – ou não - qualquer plateia.

OBS: Para melhor entendimento desse texto, não deixe de ler o texto abaixo:

A PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS FALANGEIROS DE UMBANDA

Amplexos,

Tata

#Umbanda #Falangeiros #ZéPelintra #ZéPilintra #Jurema #Catimbó #Encantaria #Terecô #Jarê #Catimbozeiro #MestredaJurema #Mestre

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